Considerações
Gerais
· Resgatar a história requer paciência e tempo em consultas
a livros, habitantes e conhecedores do município de São José
da Coroa Grande, considerando desde a época em que era distrito do município
de Barreiros ( ver: Cronologia )
· Mas os resultados são compensadores, tanto pela oportunidade
de contribuição às gerações, quanto à
chance de escutar pessoas falando com prazer dos tempos passados. È como
se pudéssemos acompanhar passo-a-passo a formação de uma
sociedade.
Malha
Ferroviária
· A malha ferroviária, hoje desativada, fez parte da história
da região. Os vagões, puxados por locomotivas à vapor,
denominadas de maria fumaça, transportavam cana-de-açúcar
para moer nos engenhos e usinas e açúcar para embarque no Praia
do Gravatá, além de mantimentos para abastecimento dos barracões.
· O ramal em direção a São José da Coroa
Grande abrangia Usina Central Barreiros - Colégio Agrícola - Passagem
Velha - Tentugal - Manguinhos ( Estação do 11 ) e Gravatá.
Em Tentugal, havia ramal para Campinas, Boca-da-Mata e Gindaí. Em Manguinhos
havia ramal para Queimadas, Itabaiana e Araçú.
· Uma das locomotivas mais famosas era a de nome Tentugal, uma F.M.Whyte,
ten-wheeler ( 0-10-0 ) manobreira ( swithcher ), fabricada pela Henschel &
Sohn A G, que pertenceu a Usina Central Barreiros, depois vendida para a Usina
Santo Amaro, em Campos-RJ.
· No Engenho Tentugal ainda pode ser vista a estação, a
casa do mestre de linha e ruínas de uma ponte da estrutura da caixa d´água.
Barcaças
· As barcaças foram durante muitos anos o meio de transporte para
o escoamento do açúcar produzidos nos engenhos e usinas da região,
dentre as quais Central Barreiros, Santa Terezinha, Catende, Porto Rico, Rio
Una e Santo André
· Carregavam em média entre 700 e 1000 sacos de açúcar
de 60 kg, até cerca de 1962, podendo ser de propriedade da Usina ou de
particulares. As barcaças, que também carregavam alimentos e no
trajeto Barreiros - Recife gastavam-se de dois até oito dias, dependendo
do vento.
· As barcaças propriamente ditas tinham 3 mastros e 4 a 6 tripulantes,
enquanto que as lanchas tinham 2 mastros e 4 tripulantes. Existiam ainda os
pernéis, com 2 mastros e 4 tripulantes e os cuters, com 1 mastro e 3
tripulantes. Registra-se que uma tripulação era composta de mestre,
cozinheiro e marinheiros.
· As barcaças tinham os nome s de: Natilde, Vênus, Anita,
Maria Antonieta, Maria Josefina, Ceci, Sândi, Arambaque, Estrela do mar,
Flor do Dia, Bela Aurora, Anfitrite, Tambaré, Garça e Maria Gizélia,
do Amaro de Bié. A maior delas era a Araribóia, que tinha capacidade
para 1800 sacos
· Em Barreiros atracavam no Porto da estrada Nova ( maré baixa
) e no Porto do mercado ( maré alta ). Transportavam também pessoas.
· Registra a memória um único acidente registrado com barcaças,
quando a "Maria Josefina" foi de encontro aos recifes de corais, além
da curiosa abordagem de um submarino a uma barcaça no dia 29 de junho
de 1945.
Veículos
· O primeiro ônibus chamava-se PUIRAÇU. Tinha a carroceria
de tábua e o motor acionado com alavanca tipo manicaca. Fazia o percurso
São José da Coroa Grande - Barreiros em aproximadamente 40 minutos,
pela estrada de barro do Engenho Tentugal.
· O primeiro caminhão foi do Sr. Manoelzinho, que transportava
mercadoria de Barreiros e Recife. Para uma ida e volta para o Recife gastava-se
3 dias.
· Sinhazinha Dondom, esposa de Dr. Estácio Coimbra, fazia o percurso
da casa de praia em Gravatá até o Engenho Murim em um cabriolé
de 4 rodas, puxado por dois cavalos, tendo como "bolieiro" o Sr. Antônio
Marinho.
Engenhos
·
Eram denominados de engenhos as propriedades rurais tidas como unidades produtivas
de açúcar, sendo compostos por casa grande, canavial, capela,
moenda, casa de fornalha e lavoura de subesistência. Também chamavam-se
de engenhos as áreas com plantações de cana-de-açúcar,
nome que ainda hoje conservam.
· Na região de São José da Coroa Grande, eram senhores
de engenho: Júlio Celso de Albuquerque Bello, do Engenho Queimadas; Sinhô,
do Engenho Tentugal; Marocas, do Engenho Junco; Dondon, do Engenho Manguinhos;
Antônio da Rocha de Holanda Cavalcanti, o Barão de Gindaí,
do Engenho Gindaí; Cel Francisco Paes Barreto Ferrão Castelo Branco
e depois Estácio Coimbra que casou com sua filha mais velha, do Engenho
Morim; Paes de Melo, do Engenho Passagem Velha e Dr. Silvestre da Rocha Wanderley
do Engenho Arassu, limítrofe de Queimadas.
· Registra a história, contada pelos mais velhos, que Gilberto
Freyre escreveu grande parte do livro Casa Grande & Senzala na casa de hóspedes
do Engenho Queimadas, demolida há algum tempo atrás.
Contabando
· As características geográficas e tradição
do estaleiro faziam de Várzea do Una um local adequado para o tráfico
de mercadorias contrabandeadas, em especial whiskey, entre os anos de 1975 a
1981.
· Cada barco transportava em média 800 caixas com 12 garrafas
de whiskey, tendo como porto de origem Caiena e Paramarimbo.
· Registra a história um incêndio em um barco com 14 metros,
em 1981, quando do reabastecimento com óleo diesel, o que causou grande
impacto ambiental no estuário do Rio Una e Manguezais.
Baixo
Meretrício
· A primeira zona da cidade foi a de Amara Gouveia, na rua da Batateira,
onde a animação contava com os acordes do sanfoneiro Augusto Miguel
de Barreiros.
· Depois vieram o Fuá de Zefa Pintada, com som de vitrola e também
localizada na rua da Batateira e a Casa Amarela, na rua Lídio Florentino,
com vitrola e sanfoneiro.
· As mulheres mais lembradas por suas virtudes eram Chiquinha Caruaru,
Maria da Vam, Amara Gouveia, Maria Homem e Natinha.
· A bebida que predominava era aguardente Pitú, pois cerveja era
a pedida dos homens mais abonados, como caminhoneiros e as doenças mais
comuns eram gonorréia, Sífilis, Crista de Galo e Mula.
Cartório
do Registro Civil
Graças à boa vontade da atual escrivã e oficiala do Registro
Civil de São José da Coroa Grande, Maria do Carmo Batista Barbosa
Silva, foi possível resgatar importantes registros de nascimentos, casamentos
e óbitos:
Quando Distrito de Barreiros
· 10 nascimento: Hoquildes, nascido em 30 de agosto de 1893, filho de Sabino Ignácio da Silva e Eutervina Ferreira dos Anjos, conforme livro 1, folha 1, nr 1, lavrado em 11 de outubro de 1893.
· 10 casamento: em junho de 1894 ( data ilegível ), de Herculano Fernandes Cunha, com 21 anos, e Juvina Cyriaca de Oliveira, com 17 anos.
· 10 óbito: em 22 de setembro de 1893, de Roza Maria da Conceição, Filha de Berto de Tal e de Maria de Tal, conforme livro 1, folha 1, nr. 1.
Quando Município
· 610 nascimento: Alice Belmiro da Silva, nascida em 20 de setembro de 1912, filha de Belmiro Manoel da Silva e Maria Ana da Conceição, conforme livro 9, folhas 247, nr 3.298, lavrado em 25 de abril de 1962.
· 10 casamento: em 22 de abril de 1962, de Adelino Vicente do Nascimento e Amara Cláudio Bandeira, a qual passou a usar o nome de Amara Bandeira do Nascimento, conforme livro B-4, folhas 72, nr 275.
· 10 óbito: em 12 de abril de 1962, de Julita Tavares da Silva, filha de Antônio Tavares da Silva e Joaquina Maria da Conceição, conforme livro C-11, folhas 54v, nr 4.734, lavrado em 13 de abril de 1962.
Estabelecimentos e entidades que fizeram História
Com o transcorrer do tempo, os estabelecimentos e entidades foram sendo fechados, após o desinteresse ou morte dos proprietários, mas a lembrança dos mais antigos, que fizeram o alicerce para os atualmente existentes, vale a pena registro, tais como:
Lojas, Armazéns e Mercados
· A primeira loja de tecidos e miudezas de Antônio da Rocha Cavalcanti, localizada na Praça Constantino Gomes
· Loja de tecidos do Sr. Vitoriano, localizada onde hoje se situa a Alameda do Francês.
· Loja do Lupércio, que comercializava secos e molhados.
· Farol do Povo, do Arlindo Cidrim, localizado da Praça Constantino Gomes
· O primeiro mercadinho foi o Popular, até hoje existente e localizado na Rua Lívio Tenório
· Armazém Vera Nice, que hoje chama-se Coroa Grande Comercial, do Sr. Manoel.
· Casa comercial do Sr. Salvino César de Macedo, o Sinhozinho de Calú, que vendia secos e molhados, além de tecidos, onde hoje se localiza do Passatempo American Bar.
Hospedarias, Bares e Restaurantes
· A primeira hospedaria chamava-se Lar Ana Luiza, que era a residência da família Gomes Ferreira
· Hotel do Francês, do Sr André, que marcou época como hotel e restaurante de cozinha internacional.
· Pousada da Carolina, fundada pelo Dr. Miranda, depois vendida ao grupo do Hotel do Sol e agora transformada no São José Beach Flat
· Churrascaria Guanabara, hoje Restaurante Postal, palco de inúmeras festas das férias escolares
· A primeira sorveteria foi do Zezinho
Outros Estabelecimentos e Entidades
· Primeira bomba de combustível foi de Salvino César ,de Macedo, o Sinhozinho da Calú. Era manual e localizada na calçada do seu estabelecimento comercial. Depois foi instalada outra bomba, em frente onde hoje é a Delegacia de Polícia , pertencendo ao Gino.
· O primeiro posto de serviço foi instalado na margem da atual rodovia PE 060, sendo de propriedade de José Epifânio de Carvalho Neto
· Primeiro banheiro com chuveiro público, instalado por João Constantino, junto ao prédio do grupo gerador de energia elétrica, ao lado da igreja. Até então os banhos eram tomados com a utilização de cuia, com água de cacimba.
· Futebol Clube União e o Cinco Estrelas, times de futebol
· Campo da Boa Vista e Estádio Ringão
· Cinema de dona Marinita
Índios Caetés
. Os índios Caetés foram os primitivos habitantes da região, que abrangia desde Cabo de Santo Agostinho até a foz do Rio São Francisco e pertenciam a nação Tupi.
. Segundo registros, tinham estatura média e compleição robusta, eram exímios pescadores e caçadores, cultivavam milho, feijão, fumo e mandioca. Eram belicosas, traiçoeiros e antropófagos.
. Em virtude do naufrágio da nau Nossa Senhora da Ajuda, na costa de Alagoas, em junho de 1556, quando comeram o bispo Pero Fernandes Sardinha e outros náufragos, o governo português empreendeu uma caçada sanguinária aos Caetés, sendo praticamente dizimados, sendo que os sobreviventes foram escravizados, de acordo com o Édito Real.
. A pedido do donatário Duarte Coelho, por volta de 1590, foram catequizados pelos franciscanos, na aldeia de São Miguel do Iguna (Una). Em 1619 a aldeia foi entregue ao clero secular e somente em 1624 passou aos jesuítas.
. Com a guerra holandesa, a aldeia resistiu e depois foram obrigados a se refugiarem na localidade de Pau Amarelo, no vale do Rio Pirassinunga (Persinunga), formando a aldeia de Nossa Senhora da Assunção de Pirassinunga (Persinunga), terra depois doada aos índios pelo governo português, em 28 de janeiro de 1698.
. A invasão dos senhores de engenho fez com que o Ministério da Agricultura emitisse aviso de extinção da aldeia de São Miguel do Una, cabendo a cada família de índios ou cada índio solteiro maior que 21 anos 50 pequenos lotes de terra.