MANGUEZAIS
O Brasil tem uma das maiores extensões de manguezais do planeta, com
uma área aproximada de 20.000 km2, compreendida desde o Cabo Orange,
no Amapá, até Laguna, em Santa Catarina.
São considerados como florestas, com árvores que podem atingir
cerca de 20 metros de altura. No nordeste existe um tipo de manguezal conhecido
como mangue seco, onde predominam árvores de pequeno porte e solo com
alta salinidade, já no sudeste predominam bosques de arbustos.
Os manguezais são ambientes dominados por uma vegetação
de mangue e se localizam em estuários. O solo é formado por uma
lama de tonalidade preta, com textura de raízes e material decomposto
chamado de turfa, sendo sua superfície rica em matérias orgânicas,
que servem de alimento aos peixes e crustáceos.
A escassez de oxigênio nas camadas mais baixas do solo faz com que as
raízes se projetem do solo ( raízes-escora e raízes aéreas
), ficando expostas, reduzindo o impacto das ondas das marés e servindo
de substrato para ostras e outros organismos.
As espécies mais comuns são mangue vermelho ou bravo, preto (
seriba ou seriúba ) e o branco. Outras espécies também
são freqüentes nos manguezais, tais como mangue-de-botão,
avencão e algodoeiro-da-praia.
O manguezal funciona como filtro e provedor de nutrientes para as espécies
e por isso é considerado um dos ambientes mais produtivos. Ostras, mexilhões,
moluscos e outros organismos marinhos se alimentam filtrando da água
fragmentos de detritos vegetais e de microrganismos que decompõem a lignina
dos troncos..
Comunidades de algas vermelhas, azuis e verdes crescem sobre as raízes
que estão na faixa das marés. A decomposição de
folhas do manguezal por bactérias e fungos é a base da cadeia
alimentar
Ressalta-se que, durante anos, o manguezal foi associado à febre amarela
e malária, por causa dos borrachudos, mutucas e mosquitos que habitam
a região, além do que desprezado por falta de atrativos turísticos.
Hoje em dia, se transformaram em zonas de preservação e admiração
turística.
Dentre as espécies que habitam os manguezais, temos: ostras, sururus,
taiobas, unhas-de-velho, aratús, cracas, guaiamus, sirís, caranguejos
e xiés, além de bagres, manjubas, tainhas
ESTUÁRIOS
Os estuários se localizam próximos de foz, em áreas protegidas
e que sofrem influências das variações das marés,
onde a salinidade se situa entre 5 e 7%.
São consideradas zonas de abrigo e reprodução de espécies,
um estágio inicial da cadeia alimentar marinha, e tidos como os maiores
criatórios de vida marinha.
Os estuários recebem grande quantidade de resíduos e matérias
orgânicas proveniente dos rios e das matas ciliares, pois é a ultima
área antes do rio desaguar no oceano, condição que provoca
uma turbidez característica na água
Um fator que causa perturbação dos estuários é o
tráfego de embarcações ligeiras, tais como jet sky e lanchas,
que revolvem o leito e turvam as águas, quebrando o estado natural de
repouso e interferindo na vida e reprodução das espécies.
Outros aspectos de destruição dos estuários são
decorrentes de construções de estradas, instalações
de portos e aterros sanitários, além do turismo predatório.
Nos estuários existem canais de marés, chamados de gamboas, que
são utilizados pela fauna para deslocamentos entre o mar , rios e manguezais.
MATA
ATLÂNTICA
No litoral sul de Pernambuco, se encontra a reserva biológica de Saltinho,
sob responsabilidade do IBAMA, que preserva a mata atlântica nativa. Também
podem ser observadas zonas de mata atlântica no acesso à Praia
do Porto, em Barreiros, e no Engenho Morim, em São José da Coroa
Grande.
A mata atlântica abriga enorme diversidade biológica, onde vivem
milhares de espécies e está localizada entre os estados do Rio
Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Estima-se que serve de habitat para cerca
de 800 aves, 180 anfíbios e 130 mamíferos.
É formada por florestas ombrófilas e densas ( costa ), semideciduais
e deciduais (interior do nordeste, sudeste e sul) e ombrófilas mistas
ou florestas de araucárias ( sul ).
Para dar lugar a inúmeras atividades, entre elas a exploração
do pau-brasil, o plantio da cana-de-açúcar, as minerações
e cafezais, além da utilização da madeira para alimentação
de fornalhas de industrias de papel e cerâmicas, foram devastadas imensas
áreas de mata atlântica. As implantações de cidades
também foram responsáveis por grandes desmatamentos.
A mata atlântica original, que abrangia 1 milhão de km2, hoje está
restrita a 120.000 km2, em áreas de conservação ambiental,
tais como reservas biológicas e florestais, a exemplo da serra do mar,
Parque do Iguaçu e Parque de Itatiaia.
RECIFES
DE CORAIS
Os recifes de corais são formados por pequenas colônias de animais
chamados de pólipos (estrutura externa de composição calcárea
em forma de tubos), que se localizam em águas limpas e rasas, até
30 metros, com temperaturas acima de 200 C, para que os vegetais possam receber
a luz do sol e produzir alimentos.
Os recifes de corais são exemplos de relações harmônicas
através de simbiose entre os pólipos, onde as pequenas algas chamadas
de zooxantelas vivem dentro dos corais, absorvendo o nitrogênio e fósforo
dos resíduos minerais excretados pelos corais e o dióxido de carbono
que transforma em oxigênio.
Quando o coral morre permanece o pólipo calcáreo, que possibilita
servir de base para novos corais.
Nos corais habitam cerca de 30% das espécies peixes existentes no mundo,
além de inúmeras espécies de animais marinhos, como, por
exemplo: Moréia, polvo, camarão, estrela-do-mar, ouriço-do-mar,
siri, caracol, lesma do mar.
A flora encontrada nos corais é formada por milhares de espécies,
como, por exemplo: a gorgonácea, chifre-de-veado, alga verde, anêmona,
margarida, sargaço, lírio do mar e cérecro
Estima-se que tem cerca de 15.000 anos em formação, tendo surgido
após o último período glacial, quando o nível do
mar subiu, inundando quase 100 km da plataforma continental.
Os corais são classificados conforme a localização em:
Franja: Perpendiculares ao mar de águas rasas, próximos às
praias
Barreira: Paralelos à costa, mas separados por lagos de água rasa
e salgada
Atóis: Crescem ao redor de vulcões, que depois afundam, deixando-os
à tona
COSTEIROS
E INSULARES
Os ambientes costeiros e insulares tem grande relevância nos países,
já que pelo menos 60% da população mundial se encontra
a menos de 50 km dos mares e oceanos.
No Brasil, os ecossistemas costeiros e insulares estão localizados próximos
à costa, do Oiapoque ao Arroio Chuí, com uma área de 7.367
km2, e deles fazem parte manguezais, estuários, corais, praias, dunas,
ilhas e restingas.
No nordeste do Brasil, alguns aspectos influenciam de sobremaneira:
Pluviometria: Cerca de 50% das chuvas se concentra nos meses de abril a junho e tem nos meses de novembro e dezembro os menores índices.
Ventos Alíseos: Sopram do leste entre outubro e março e do sul-sudeste nos demais meses
Marés: Na Bahia existe uma oscilação máxima histórica de 2,4 m, enquanto que em Pernambuco se situa em 3,2 m e no Ceará em 4,2 m.
Salinidade: No atlântico sul a faixa de salinidade é de 36 a 37 %o, chegando a 34 a 35%oem Pernambuco. ( %o grama de cloreto de sódio em kg de água )
Temperatura da água: Até 10 metros de profundidade apresenta uma temperatura média de 27 a 29 0C, enquanto que na profundidade de 100 metros chega a 14 e 26 0C.
Correntes Marinhas: Registros indicam uma média de velocidade de 35 km/h na zona litorânea.Restingas
As restingas são faixas arenosas ( cordões ), resultado do recuo dos níveis dos oceanos, há cerca de 5.000 anos, que se encontram em cerca de 80% do litoral brasileiro.
Geralmente se interpõem entre o mar e rios ou lagoas, compostas de vegetações rasteiras características que se adaptam ao solo arenoso, podendo chegar a chegar até a 20 metros de altura.
As restingas tem solo pobre de nutrientes e pouca capacidade de reter água. A maresia e a decomposição de folhagens é que alimentam o solo.
A vegetação é adaptada às condições de salinidade e marés, denominada de halófila-psamófila, tem como espécies mais comuns o sambaqui, feijão-de-praia, salsa-de-praia, pinheiro de praia, bromélias, conhecidas como macambiras, e cactos como facheiro e mandacarú.
Inúmeras espécies de animais habitam as restingas, tais como a lagartixa-da-praia (massambaba), batráquios ( perereca de bromélias ), além de aranhas, mosquitos e borboletas.
Por se situarem junto ao mar e cursos de água doce, as restingas são ambientes propícios para o descanso de aves migratórias.Ilhas
As ilhas são formações montanhosas que despontam na superfície dos oceanos, mares, mas também existem ilhas fluviais.
Por estarem isoladas dos continentes, tem um frágil ecossistema e por isso carecem de cuidados especiais quando do acesso para turismo. No litoral de Pernambuco encontra-se a Ilha de Santo Aleixo e no nordeste o arquipélago de Fernando de Noronha.Praias
As praias são formadas por terreno arenoso e compreendem cerca de 8.000 km da costa brasileira.
Deve ser evitado o tráfego de veículos nas praias, pois além de representares perigo de acidentes com pessoas, também existe probabilidade de esmagamentos de ninhos de tartarugas e de animais marinhos.Dunas
As dunas são formações de areia que podem sofrer deslocamentos dependendo da intensidade e sentido dos ventos. São bastante comuns e conhecidas pelo fluxo turístico nos estados do nordeste do Brasil, principalmente no Ceará e Rio Grande do Norte.
A inclinação das dunas que estão à barlavento (do lado que o vento sopra) tem uma inclinação menor que à sotavento (do lado contrário do vento).