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Lentes
enxergam, sentem, retratam:
Vidas dos homens, verdades da terra.
Capturam o cheiro do cio da terra.
O cheiro da terra é o dos homens.
Posam
em retratos sem molduras,
Riem dos vivos, choram os mortos.
São avessos às cópias de gente,
São excêntricos por serem naturais.
Arraigados,
mesmo que nomandes,
É possível tocar-lhes o coração.
Bastam-se, não enganam a si próprios.
Terra e gente nativa se completam.
Mulheres,
donas de casas e campos,
Lavam nos rios roupas e corpos.
Crianças sugam-lhes o peito,
Homens tomam-lhes o colo.
Olhos
rebuscam chão, céu e mar,
Labutam, repartem tédios e afetos.
Colhem tudo o que aterra produz,
Fazem da fé em Deus agasalho.
A
gente faz da vida uma história:
Migram, se misturam, gastam o dia.
Transformam o pouco em riqueza,
Cuidam com o se fosse quase tudo.
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